quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Prevenção de doenças e cuidado



Ano passado devido a alguns problemas de saúde, eu fui orientada a fazer exercícios físicos todos os dias da minha vida, religiosamente, e assim tem sido. No início foi um pouco difícil, afinal estava extremamente ociosa há mais de cinco anos (tempo inteiro da minha tese e não recomendo isso para ninguém), mas depois foi se tornando, de fato, um hábito. Inicialmente recorri ao pilates, pois não estava conseguindo fazer movimentos básicos do yoga como o Adho Mukha Savasana (ou postura do “cachorro olhando para baixo”na imagem), o ombro não deixava. Yoga é maravilhoso para tudo, mas se você tem problemas, sejam eles nas articulações ou respiratórios, é bom conhecê-los bem, pois, do contrário, problemas poderão ser acentuados,e isso geralmente acontece porque seu/sua instrutor/a não pode lhe dar atenção exclusiva e você ainda não sabe as variações menos vigorosas ou aquelas mais apropriadas ao seu corpo.
O pilates é perfeito para fortalecer áreas específicas do corpo quando já existem problemas e é excelente para quem é indisciplinado com exercícios físicos ou simplesmente gosta de ter um/a profissional atento/a orientando cada movimento (geralmente são poucas as pessoas atendidas por sessão). No caso, no espaço onde realizo são, no máximo, quatro pessoas. Eu me encaixei inicialmente nos dois perfis: indisciplinada e necessitada de orientações diretas quanto ao meu corpo. Tive a grande sorte de cruzar com Carolina França (Fisioterapeuta e Osteopata) de grande coração e profissionalismo e depois de alguns meses estava preparada para retornar aos ásanas do yoga. Desde então tenho atrelado ambas as práticas e tem sido perfeito – uma vez por dia e, algumas vezes, mais de uma vez, dependendo da necessidade e do tempo. Eu escrevi tudo isso porque eu queria chegar no ponto da necessidade da prevenção que Robertinha puxou nos comentários anteriores. Eu tenho percebido, diante de tudo que tenho vivido, que todos/as nós, estamos diante de uma encruzilhada. Precisamos rever todas as nossas escolhas, independentemente se estamos acometidos por alguma doença ou não, ou independentemente de doenças sazonais, ou que vêm com a nossa família, geração após geração, como tem sido o meu caso.  Precisamos mudar, de acordo com minhas contas pessoais (mero achismo), pelo menos quatro hábitos: alimentares, respiratórios, posturais e emocionais. Quem acha que isso tem a ver apenas com o próprio umbigo se engana.  No post que intitulei “se o campo não planta, a cidade não janta” quis puxar a discussão para algo muito mais amplo porque não adianta trocar o remédio do laboratório pela “boa alimentação” se esse alimento está envenenado com agrotóxicos ou é modificado geneticamente (muitas vezes produzidos pela mesma indústria química produtora de medicamentos), assim como também não adianta mudar para uma alimentação livre de agrotóxicos se ela foi produzida por agricultores/as que se submetem a amplos processos de exploração porque não têm terra para trabalhar dignamente, e não adianta ter uma alimentação produzida a partir da agricultura familiar se esta ainda funciona a partir da ideia de que a mulher que faz os trabalhos domésticos e vai para a roça apenas “ajuda” seu  marido que continua sendo o chefe da casa, da produção e da renda produzida por ambos. Ou seja, não adianta fazer yoga, pilates, melhorar postura, respirar melhor, se você vive num mundo que te aflige e não faz nada para mudá-lo. Por outro lado, e agora falo como alguém que tem assumido para si uma parcela de responsabilidade sobre mudanças no mundo, não adianta falar de grandes transformações se você não sabe (ou desaprendeu) respirar ou não conhece, ao menos, seu dedo mindinho (se você acha que conhece tente movimentá-lo agora, rsrsr, maldade!). A questão seria saber respirar e ter ar puro para fazê-lo – não adianta um sem o outro. Concordo em gênero, número, grau, raça e etnia com o que Rô falou. Vivemos numa cultura que não cuida de gente a partir de uma perspectiva integral e preventiva, afinal, tempo para se cuidar é tempo retirado de um sistema mobilizado por lucro. Não é à toa que quem cuida, em geral, são as mulheres. Cuidamos das crianças, dos idosos, outros vulneráveis e de nós mesmas (além certamente dos homens que não são ensinados a se cuidar ou cuidar de outrem). O tempo de trabalho das mulheres é desvalorizado em relação aos homens e, por isso, é explorado, seja no trabalho produtivo, seja no reprodutivo. Enfim, o que o tempo e a vida têm me ensinado, às vezes de modo suave e às vezes nem tanto, é que tudo está relacionado e estar saudável é muito mais que um corpo que não apresenta doenças e se prevenir é mais do que fazer exercícios e se alimentar bem. São conceitos deveras amplos e acho que teremos muito para conversar, mas apenas adiantando algo para outro post, se nós, desde crianças, fôssemos estimulados às práticas respiratórias e de autoconhecimento que são proporcionadas pelo yoga e outras práticas de meditação, bem como a pensar a origem de tudo que usamos, ou comemos, teríamos um mundo menos doente.

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